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21/02/2023

Sonho

Seguia ou seguíamos, não sei bem quem seguia, por uma estrada de serra, daquelas nacionais com mata dos dois lados. Muito bonita paisagem. E decidia onde haveria uma reentrância para a praia. A praia não o era. Nem sequer uma fluvial. Antes uma piscina, sem o aparato das piscinas azuis. Tudo em tons naturais da terra, pedra e vegetação e uma água, céus, uma água translúcida, límpida. Houve dois ou três momentos distintos, se bem que não sei fazer os separadores. Os sonhos não são lógicos e inteligíveis à primeira. No primeiro separador, na sequência de ter entrado num dos tais caminhos laterais que era eu quem decidia onde poderiam nascer em função da sinuosidade e inclinação do terreno, surge em volta de uma piscina de água límpida, um belo casario caiado. Casas térreas brancas numa rua tranquila de paralelo junto água. Essa tinha sido uma “praia” aconselhada e no sonho tinha nome de localidade portuguesa, que esqueci. Um lugar belíssimo. No outro separador a tal outra piscina natural ou lago com fundo cor de pedra enquadrada na vegetação, plena de água pura e cristalina até às bordas. E o contraste: quando saía de dentro da água, ao pousar os pés junto à vegetação, que era mato, tudo ardia baixo rente ao solo, ali junto aos pés e à água que em leve ondulação quase beijava o lume. Levantei os olhos e a vista era ampla e descoberta: toda a serra ardia, sem que tenha sentido sinal de medo. Em tranquilidade via a chama mansa e quente, como se fosse veludo, queimar a vegetação, mas seguia sempre por onde não queimava. A temperatura tépida era perfeita. Não havia fumo de espécie alguma e pensava sem me assustar em momento algum do sonho: há água e posso chegar à estrada, é tranquilo.