Há muito não via um Alta Definição. Acabo de assistir na box à entrevista transmitida ontem a Ricardo Araújo Pereira. Um homem indubitavelmente inteligente e reflectido. Nem vale a pena referir a graça, é desnecessário por ser de tal forma evidente. Deixo, não obstante, duas notas até para confirmar aquilo já aqui foi dito várias vezes quando me referi directa ou indirectamente a RAP. Por mais que invoque estudos para provar que não tem peso como orientador de opinião, e enaltecer um humor supostamente inócuo sob o ponto de vista moral e político, reduzindo-se apenas ao regozijo da liberdade de em democracia fazer piadas parvas e não sensatas, a verdade é que muito poucas figuras em Portugal têm o mesmo peso e influência na opinião pública nacional.
E a questão da demarcação do moralismo é no mínimo divertida. Parece um paradoxo, mas não é: os denunciadores dos moralistas e do moralismo são sempre os que mais valores morais propagam. No caso de RAP, posso até estar próxima da evangelização através da ironia que vai fazendo ao longo dos anos, mas não deixo de anotar o quão moralista é.
Por fim, fico sempre com pena que gente bem-sucedida evoque tanto o trabalho – chave indispensável do sucesso, não haja dúvida -, mas não sublinhe a felicidade de ser fadada por natureza com facilidades e talentos que tocam a poucos.