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18/09/2020

Vôo

A Praça de Carlos Alberto mais ampla e iluminada, talvez pelo passeio de quarta-feira pela zona ribeirinha lisboeta. Sinto-me no meio de muita gente a palmilhar a calçada. Um veículo incerto - não sei se carro, se pequeno avião ou qualquer outra coisa voadora -, iça-se no ar conduzido por uma rapariga. Ninguém, senão eu, repara. A praça continua o movimento normal. Percebo que tal como subiu bem alto vai ter que descer. Um grito de aviso lá de cima pede às pessoas atenção e que se desviem: o objecto voador vai cair. Finalmente, alguns transeuntes percebem o perigo e avisam-se entre si prevendo o acidente. Desviam-se e o objecto cai isolado sem magoar ninguém. Falta a rapariga, penso eu. E já com a maioria dos transeuntes de olhos postos no céu vem a rapariga sem pára-quedas a descer em diagonal. O seu trajecto veloz cruza-me o olhar de sudeste para noroeste. Fico, como todos na praça, assustada pelo que possa acontecer. Abre-se uma ala e percebo que, apesar de não a ver, aterrou de pé, em segurança, sem qualquer mazela. Como nalgumas aterragens de avião, nas quais os passageiros batem palmas, as pessoas à volta dela aplaudem. Ao longe, junto-me ao aplauso olhando para zona onde caiu, sem nunca a ver. Viro costas, sigo o meu caminho em direcção aos Leões.


Acordo. Do sonho mais impressivo de hoje.