Apetece ao longo das próximas semanas contar momentos divertidos por que passei. Daqueles que ao reunir familiares, amigos ou colegas fazem sorrir e levar a vida mais bem-disposta.
Começo por um episódio que ocorreu algures no início dos anos 90. Em miúda odiava o cabelo penteado, liso e alinhado, ou pior, enroladinho. Despenteei-o tantos anos, que nunca mais consegui que ficasse direito. Certo dia, saída do cabeleireiro onde, tal com hoje, só ia três ou quatro vezes ao ano para cortar o cabelo, dei por mim, como de costume, com cara de cão de água. E fui para casa na intenção de fazer o usual: despentear-me. Entrei na casa de banho, abri o armário e sem olhar lancei a mão à lata de espuma do cabelo, que sempre estava atrás no canto direito. Face ao espelho, dobrei o pescoço para frente, atirando o cabelo para baixo, abanei a lata e vá de atirar espuma para a mão e espalhá-la na cabeça.
Logo de seguida, apurei o olfacto (que é bastante bom) e percebi a razão de ter estranhado a textura do produto: aquele não era o cheiro da espuma do cabelo, mas sim do creme depilatório. Alguém me tinha trocado o sítio das latas.
Em segundos estava aflita debaixo do chuveiro. Lá passei a água que achei suficiente. Muita. Mesmo muita. E tocaram à campainha. Era a minha amiga T. a convidar para tomar café. Lá fomos e contei o sucedido. Já sentadas à mesa, eu não conseguia deixar de afagar o cabelo com os dedos e ela ria como uma perdida, sempre na expectativa que numa das passagens da mão viesse um grande tufo de cabelo agarrado. Felizmente tal não sucedeu. Mas posso garantir que daí em diante aprendi a não usar nada sem ler atentamente os rótulos.