
*
O sol consome a pele,
seixo humano comovido.
Dedos dos pés enterrados
na areia molhada.
Pernas e omoplatas
serpenteadas pela brisa,
A dita roça
braços e ombros
e o cabelo
vagueia desarvorado.
O piscar do sol,
domado pela vontade
das nuvens,
irradia o amarelo da toalha.
Ofusca a íris.
Às narinas
aroma a algas,
sal e iodo.
Nos olhos
seca o sargaço espraiado
na areia grossa.
No tímpano
arrulho forte do mar
a norte
e ténue carícia
a sul.
Barreira natural
de rochas pardas
pejadas de mexilhão
Lá em cima,
curvada, a anciã busca
beijinhos e conchas perfeitas
na linha da maré alta.
Volto-me
Azul. Imenso céu.
Azul. Imenso mar.
Carneirinhos brancos,
encaracolados no oceano.
Espirros alvos no céu
ao bater nos rochedos
sobrevoados
por pilritos-da-praia.
Lá em baixo,
onde o mar traga a areia
hirto, o jovem casal
busca beijinhos
e conchas perfeitas.
Salpicos salgados
na nossa pele.
E, graças,
poucas gaivotas.
O sol pôs-se alto.
É hora de zarpar.
