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22/09/2020

 Manhã

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*


O sol consome a pele,


seixo humano comovido.



Dedos dos pés enterrados


na areia molhada.


Pernas e omoplatas


serpenteadas pela brisa,


A dita roça


braços e ombros


e o cabelo


vagueia desarvorado.

O piscar do sol,


domado pela vontade


das nuvens,


irradia o amarelo da toalha.


Ofusca a íris.

Às narinas


aroma a algas,


sal e iodo.


Nos olhos


seca o sargaço espraiado


na areia grossa.

No tímpano


arrulho forte do mar


a norte


e ténue carícia


a sul.


Barreira natural


de rochas pardas


pejadas de mexilhão


 


Lá em cima,


curvada, a anciã busca


beijinhos e conchas perfeitas


na linha da maré alta.


 



Volto-me


Azul. Imenso céu.


Azul. Imenso mar.

Carneirinhos brancos,


encaracolados no oceano.


Espirros alvos no céu


ao bater nos rochedos


sobrevoados


por pilritos-da-praia.



Lá em baixo,


onde o mar traga a areia


hirto, o jovem casal


busca beijinhos


e conchas perfeitas.




Salpicos salgados


na nossa pele.


E, graças,


poucas gaivotas.




O sol pôs-se alto.


É hora de zarpar.


 


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