
O Nuno irrita-se com a superficialidade da discussão sobre as vistas dos bairros sociais de Almada. Para quem nasceu em Ourique e, antes de vir parar ao Porto, viveu em Almodôvar, São João de Estoril, Cascais, Estoril, Campinho e Guarapari (Brasil), Almada e Luanda, e conhece desde sempre as questões de construção civil pública e privada na Grande Lisboa e por esse País fora, designadamente nos bairros sociais, o atirar de argumentos inconsequentes e infundados, sem querer saber das razões, do que era o País há 30 ou 40 anos, é pura e simplesmente uma palermice. E não compreender a história, nomeadamente, de quem se esforçou por mudar Portugal para uma coisa um pouco melhor. Era bom que se falasse das vastas zonas de barracas e bairros de lata nas cidades e periferias. Nos embargos e nas deserções das obras a meio da construção. Nas ocupações selvagens. E dos inúmeros aproveitamentos ideológicos e partidários que impediam o desenvolvimento do País.
É preciso lembrar que um simples pedreiro de colher na mão era insultado de fascista pelos delegados sindicais. Conseguir fazer obra neste ambiente foi extraordinário. E foi neste contexto que nasceram muitas construções com ou sem vista privilegiada, umas destinadas a habitação social, outras não, mas aproveitadas a posteriori. E foi neste contexto que se realocaram muitas famílias que viviam em condições abaixo de degradantes. Estando longe do ideal, foi um passo na evolução social. Como em qualquer obra, mesmo as mais caras, seriam necessários os cuidados de manutenção e de acompanhamento. Esses são outros quinhentos.