
Talvez seja etérea a beleza da conversa nocturna ao ar livre. O tempo espraia a madrugada. As vozes ganham volume, ecos e sombras. É revelado o veludo invisível à luz do dia. O impossível e a fantasia mostram-se reais.
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As femininas cavaqueiras da varanda entrelaçam o assobio do vento fresco da serra na hera que cobre as paredes da casa.
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Dois corpos. Homem e mulher estendidos de costas na argila quente do terraço e todo o céu aberto estrelado no horizonte, trocado por poucas palavras soltas, abafadas pelo som cadente das vagas do mar batido.
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A mescla do gralhar alegre da vozearia juvenil com o dedilhar metálico da guitarra desenrascada no pátio da urbanização da periferia.
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O tom morno e a respiração pousada de quem já viveu muito, contando improvável história a crianças sentadas no primeiro degrau da escada de pedra e o arranhar das solas dos pequenos sapatos no saibro.