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13/06/2022

O estorvo da paixão

A paixão desvairada pousou-a em relativo sossego. Ainda mexia, mais ténue. Haveria de morrer, desejava-o - ao sucumbir do sentimento; não ao homem, mentia. Em tudo errado, não sabia se em si mesmo, mas certamente na relação consigo. De resto, tudo era inadequado, como costuma ser o furor. Haveria de desvanecer lenta mas completamente. Esperava sentada nos intervalos dos devaneios, nos entremeios do rame-rame diário ponteado de rápidos delírios involuntários. Já fora pior. Houve momentos em que a ânsia a corroía horas a fio, perturbando o normal correr do dia. Já fora pior. Haveria de voltar a conhecer a alegria de amar sem estorvo tão inconveniente.