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26/06/2022

Descoberta

Acabo de descobrir o meu maior drama. O maior drama de hoje, vá. Já vou tarde, mas cá vai: falta de «muso». Diz-se não haver feminino de musa. Ora, é a inexistência de um deus inspirador que determina a minha falta de talento e este remoer narciso. Se bem que existe o Tritão, representação masculina das sereias. Bom, mas o facto é que isto do excesso crítico e de não ser dada a ídolos dá cabo do engenho e dificulta o saltar fora de mim. Daqui em diante vou estar atenta a potenciais Apolos que me inspirem. Não sei como passam nas nossas vidas e se revelam. Agora que tomei conhecimento da falta, espero estar à altura de reconhecer os «musos» como tais. Presumo que seja imprescindível para surtir o efeito desejado. De qualquer modo - prometer é sempre a parte fácil - declaro desde já: um ano depois de os descobrir exigirei a mim mesma a conclusão de um romance e um poema épico sem mácula. No mínimo. Até lá e face à inexistência dessas entidades mitológicas no meu universo, nada me pode ser exigido: faço o que posso e a mais não sou obrigada.