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21/06/2022

Diário

Acordo de madrugada após cinco horas de sono a rematar um dia cheio. Penso que preciso de dormir mais uma hora para aguentar o ritmo do descanso - parecendo que não isto de relaxar fatiga. Antes de o fazer escrevo este postal e tiro duas fotografias rápidas ao amanhecer com meia hora de diferença entre si.


Portimão, amanhecer.jfif


amanhecer.jfif


 


 


 


 


 


Ontem de manhã fiz duas horas de praia, como de costume em férias. Uma hora a caminhar na areia junto ao mar, outra a dar poucas braçadas e estender-me ao sol distraída com as conversas dos vizinhos de toalha estendida, que pelas pronúncias e temas de tagarelice me pareceram na maioria do Minho e Grande Porto. Vista do mar a costa urbana de Portimão é francamente feia. Feita de construção desordenada como é característica nacional das últimas quatro décadas. Vale o areal de consistência fina e a temperatura agradável do mar, que faz da caminhada a chapinhar na água um prazeroso passeio.


Seguiu-se o fingir de sesta após pretenso e mui ligeiro almoço e ao final da tarde o travar de conhecimento com a piscina do hotel - sempre ponto fulcral nas minhas férias. À partida foi o susto: entre prédios nem uma nesga de sol no espaço exíguo onde está instalada, rodeada de espreguiçadeiras a poucos centímetros umas das outras. Contudo, pouco na vida é realmente o que parece. Entrada na água, a temperatura estava excelente pelo que se seguiram trinta e cinco minutos a nadar calma e compassadamente por puro prazer deixando-me levar pelas divagações - o efeito da água em mim assemelha-se ao de seguir num carro ou comboio entre paisagem desafogada: parto em viagem. Nadar é um dos maiores prazeres que sinto na vida. Saí de lá mais uma vez a pensar que devo ir regularmente à piscina municipal junto a casa.


AS.jfif


 


Antes do jantar terminei de ler o livro que comecei na véspera: A História de um Sonho, de Arthur Schnizler. Um dos três que trouxe. Mais um romance escolhido entre a Colecção Mil Folhas pelo reduzido tamanho. O que no caso é enganador atenta a densidade freudiana da narrativa. Se entrei no romance com a sensação de desconfiança face aos estereótipos e excessos da psicanálise, terminei agradada. Não foi leitura em vão.