Queria que ele soubesse o além do visível e do que pode ser. Como se tivesse passado um par de anos e já pudesse haver o que contar, imaginava o que recordaria desses dias. De acordar de peito desfeito em milhões de pequenos estampidos, só ao ver-se com ele num tempo e lugar remoto. Os cenários e os dias volviam como páginas do livro velho e amarelecido que leu milhentas vezes e onde sempre encontra o que procura. O livro entre os livros. A história entre as histórias. O sorriso dele a olhá-la desfazia-a por dentro, roubava todas as forças, deixando-a ali pasmada de amor, sem energia para querer compreender nada. Por uma vez sem argumentar, entregue. As mãos e braços a envolvê-la e o calor e cheiro do corpo dele embrulhados na voz densa a soltar palavras. Ela inebriada não distinguia nem sílabas quanto mais o sentido. A cócega inteira e inelutável. A certeza de num ímpeto não conseguir resistir: reunir toda a vontade ao abraçá-lo com paixão e esconder-se nele para sempre.