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01/12/2020

Comezinhas 2020

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Dezembro é mês de balanço e planos. Para resumir o último ano deste diário de bordo e arrumar ideias, recordo uma selecção de 26 postais.


Vou directa ao que são as Comezinhas: no fundo o reflexo de uma chata embiocada. Sinto estar do lado de fora e é sabido que é de menino que se torce o pepino. De modo que, ataviando razões, sou feita de telha e luas e tento fazer esforço para regressar realidade.


As Comezinhas passearam entre fúrias e sonhos, raramente perdendo o pé. Nas zangas – que as pessoas sensatas não costumam admitir para não perder a face, - saíram postais como o Marquês de Sade, Os alucinados e os sensatos, Somos mesquinhos e o Futuro. Para lá das fúrias genéricas, há pedras no sapato e uma entrada a pés juntos. Mas interessam mais os sonhos e neles cabem postais de puro devaneio como o África Minha e o mundo real encantado no baú ou o sonhar acordada, e o Passeio das Virtudes.


A vida desenrola-se entre o mais prosaico dos mundos no ganha-pão, o uso da gadanha e o aconchego de casa, feita de manhãs imperfeitas e ocasionais e alegres escapadelas, como a entrada de Lisboa em Março. Deixando de poder sair, foram passeios em Google maps ou recordações de viagens.


Não perdendo tempo com a trapalhada da política - também aí espalhada pelas Comezinhas -, cabe dizer que apesar de não ter a menor pachorra para o feminismo pop, descobri um certo grau de feminismo nos postais A urticária a Rita Rato e noutro registo no As puras e no Dizes que a amas. Basicamente, e sabendo que acham que troco alhos por bugalhos, o que posso acrescentar é que para quem dizia aos 20 anos que aos 40 viraria lésbica caso se desiludisse com os homens, estou aos quase 47 anos muito longe disso. Talvez por ter tido sorte e não os ver com rivais, quando muito por saber que às vezes é preciso dobrá-los.


No meio de tudo há tempo para ler livros, mas poucos para não fazer mal à saúde. Não sou uma leitora convencional como admito no Cunho. Além de ler poucos livros, toda a vida parti em viagem ao ler. O aspecto positivo é que disso tenho consciência, ao contrário de muitos lunáticos que treslêem mais do que lêem e se convencem que percebem tudo quanto lêem.


O balanço está feito, faltam os planos e ao contrário do que poderia parecer eles implicam tanto de passado quanto de futuro. Como é patente nas entradas a que dei o nome Verdes, como a Verdes – Frutos, ou o postal Xícaras & Canecas, o passado dos meus interessa-me tanto quanto o meu. E esse é o grande projecto de futuro.


Por fim, e por saber que estranham a falta de caixa de comentários neste blogue, deixo a explicação.