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22/12/2020

Agenda

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Além do eterno adiado texto sobre a cronologia da covid, que ando a anunciar desde Maio, estão na calha, sem a menor ideia do rumo do que vou pensar ou escrever enquanto os redigir, dois postais. Um sobre astrologia para 2021 com duas ou três palavras para os conjuntos de dias do ano que respeitam aos que mais me importam - oh credo, com tanta tragédia pelo mundo, como ainda há gente com este tipo de burrices, egoísmos e leviandades? quanta vergonha, quanto horror -, e outro sob este título aproximado: 'entre o respeitinho e o chover no molhado'. No primeiro pretendo tão só acautelar-me do que possa suceder a quem está perto do coração e afugentar - com a mera referência à astrologia - os espíritos racionais e devotos da absoluta ciência das certezas; no segundo tentar dizer aquilo que penso há muito sobre a discussão de ideias e creio não ter ainda traduzido em palavras escritas. Assim como quem levanta o véu, inclino-me para não ter a menor pachorra para quem critica o 'respeitinho' não pela ideia em si, que seria boa se não redundasse noutro respeitinho mais pateta. E hei-de chegar a alguma conclusão na forma de fazer a ponte entre o respeitinho e o chover no molhado, que é o que mais faz quem critica o respeitinho. E revelar quão divertido é ver os adeptos do vale tudo tropeçarem nos próprios pés, não resistindo às indignações selectivas em voga a cada momento. Somos todos muito liberais até a liberdade nos pedir a conta.