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04/06/2020

Marabunta

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Tinha decidido pura e simplesmente não escrever uma linha sobre os acontecidos no Estados Unidos. Mas depois de ver tanta gente com vontade de acusar outra tanta gente de racismo e de tentar abater, à custa da emoção fácil, quem não vê o mundo a preto e branco, apetece-me apenas mandar os acusadores para o cê. Com tanta boa vontade e amor ao próximo estão cegos ou não querem ver. Nem valeria a pena escrever uma linha de bom senso. Já vi algumas escritas sensatas por aí e caem em saco roto. Logo são vilipendiadas. A marabunta não quer saber, quer é estar excitada. De garganta feita. Animada, inflamada, tal como estaria a urrar num festival de música ou num jogo de futebol. A morte injusta, trágica, desumana e macabra transforma-se em mero pretexto. Duplamente assassinado, o negro. Por excesso de força da polícia e por diversão perversa de uma turba inconsequente. Deixará de ser um homem para ser uma bandeira em forma de pretexto. Podia ter qualquer outra cor. A das alterações climáticas, ou outra. A marabunta quer é excitação por estar insaciável nas suas frustrações de homens e mulheres cheios de ódios pequenos e vingativos.