
É oficial. Estou de férias. Uma semana inteira. Meu Deus. É a loucura. Já abri o google para procurar na Abreu o destino. Talvez o Peru, o sonho adiado de sempre. Aproveitar agora que a Covid-19 afastou a chusma habitual de turistas de Machu Picchu.

Bem, mas uma semana é muito curto (e muito curto é favor). Afinal a fazer a viagem à América do Sul deveria ser coisa mais ampla e pensada. Procuremos. É isso, primeiro Peru, depois Chile e Argentina. É desta que chego à Patagónia. Seria perfeito, se não tivesse apenas uma semana. Fica para outras núpcias.

Afinal fico-me por mais perto: Rússia. Bem visto. Sempre quis ir a São Petersburgo. Já me estou a imaginar a cirandar pelo Hermitage. Ai, também não. É pouco tempo para aproveitar a viagem e ir também a Moscovo.

Talvez, então, um saltinho mais rápido. Boa, é desta que vou finalmente a Marraquexe e Casablanca, viagenzita eternamente adiada desde os 18 anos. Também não. As fronteiras e os aeroportos só abrem dia 15. Precisamente no dia em que recomeço a trabalhar. É preciso ter azar. Logo agora que eu até iria ao Nepal e à China. Ou Japão, quem sabe.
Entretanto fecho a página da Abreu e abro a do meu banco. Observo-a atentamente. Levanto-me pesarosa, passo em frente ao mapa-mundo do átrio, espreito o globo e o Buda na sala, dou meia-volta, vagueio pelo corredor e deparo-me com o espelho. Ele consola-me: cai na real, dá-te por contente de não ser Agosto e levares com as nortadas, fica em casa e vai às praias das redondezas e não te armes em esperta, ó pelintra. Come um gelado da Olá para compensar e esquece os teus destinos previsíveis.