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03/10/2024

O que é esta segunda-feira?

Hoje são várias as palavras eleitas e antes mesmo de as elencar conto que não defini o que vou escrever em seguida: elogio, crítica, quero, posso e mando, hipersensibilidade e política. É possível que não esteja capaz de desenvolver um todo estruturado, por isso começo por deixar as ideias essenciais.


As noções. 1) A falta que faz o elogio e como pode ser excessivo e pouco honesto. 2) A crítica e o prejuízo que causa quando excessiva e o lucro que podemos obter dela. 3) A prepotência: as virtudes e benefícios de ter as ideias definidas e vincadas e os malefícios das atitudes quero posso e mando. 4) A hipersensibilidade como motor de avanços civilizacionais de respeito pelos direitos humanos e da Natureza e as desvantagens do dogmatismo (este vocábulo com sentido tão profundo e estudado há-de dar um post no futuro) e puritanismo. 5) Política.


Cada um é como cada qual e cada qual tem os seus recursos de sustento intelectual e emocional. A forma como para uns é dispensável o incentivo, não invalida a falta que ele possa fazer a outros. O florescer da vida para tantos pode acontecer muito em resultado desse ânimo externo, que a outros tanto falta. A afirmação solitária e impetuosa de alguns pode fazer-se de forças e independência dispensáveis a quem é amparado e incentivado. Para lá da condição humana somos todos diferentes, cada um com percurso peculiar. O elogio pode fazer maravilhas no mundo se não for fácil e desonesto, isto é, a troco de benesses. A crítica constante e desagradável pode amarfanhar e anular qualidades humanas relevantes, mas também conferir maiores graus de exigência aos visados e fazê-los mais consistentes.


Do equilíbrio difícil entre elogio e crítica, que deveria basear-se não só nos factos como na justeza da interpretação dos acontecimentos, podem nascer espíritos mais clarividentes, menos sofredores e mais harmoniosos.


Muitas das questões abordadas por aqueles que são tratados como radicais das causas identitárias pelos que tenho denominado ultra-conservadores – o que é um pouco injusto com a ideia benigna conservadorismo; deveria sim considera-los agressores – são pertinentes e justas apesar de parecerem hipersensibilidades de histéricos. O mundo é ingrato para muitos sem razões atendíveis, salvo a perpectuação ou a regressão à lei da selva. A imposição da lei do mais forte por contraposição à escalada de puritanismo – e excessos de ridículo como reacção à lei do mais forte num intuito de impor lógicas bizarras que também elas estão longe de justas - tem servido de estratégica ou táctica para protagonismos políticos. Os discursos, as argumentações e as atitudes prepotentes baseadas na factualidade crua - que dão a sensação de rigor e de objectividade -, sem interpretação contextualizada de modo justo e isento, mas pelo contrário resultado de manipulação retórica, fazem parte da política no sentido menos digno.


Não são os direitos humanos e a protecção da Natureza que estão em jogo na maioria das discussões, mas a política no sentido mais rasteiro. O que não prenuncia nada de bom. Não há aqui nenhuma epopeia para apuparmos o Velho do Restelo que representaria o travão a grandes avanços, há sim a mais elementar necessidade de bom senso.