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04/10/2024

O que é esta segunda-feira?

Logro é a palavra eleita.


Valorizar tudo quanto favoreça o caminho tido por mais respeitado pelos que têm poder ou influência – por quem supostamente possui mais autoridade nas relações pessoais, profissionais, sociais. Agir sempre como se a espada da obediência ao conveniente e oportuno fosse descer sobre o corpo perpassando-o de modo fatal. Abafar e desprezar tudo quanto seja espontâneo, genuíno tomando-o por simplório e por isso sujeito ao escárnio da maioria. Confundir conhecimento e verdade com convenções herdadas, sectárias e vantajosas do ponto de vista individual - logro. Considerar que a credibilidade decorre de espécie de exibição de carta referências de quem supostamente produziu saber e partir do princípio de quem não a exibe não é recomendável senão para ser abusado, sobretudo se revelar conhecimento efectivo a ser aproveitado com oportunismo e desrespeito. Seja sob pretexto de fins lúdicos, de estímulo intelectual ou ficcional, seja com o fim aparente de exploração do conhecimento e explicação na natureza humana, entusiasmar-se e admirar a perversidade e o cinismo, considerando-os inevitáveis e naturais, tomando-os por lucidez e sagacidade. Elogiar e realçar por efeito onda sem atenção ao real talento. Agir como cata-vento sempre em busca de aceitação ou vantagem. Revelar pouca inteligência em análises levianas e nas escolhas quase sempre previsíveis e gananciosas. Confundir discernimento com manha. Eis o perfil dos(as) embusteiros(as).


Não há como fugir da realidade: isto existe e tem sucesso. Em certas ocasiões, isto é o que tem mais sucesso, apesar da ostentação dominante – a tal com muita audiência – querer fazer crer em patranhas de sucesso do trabalho e do mérito e ponha sempre o rótulo de ignorante, invejoso ou ressabiado em quem chame a atenção para a realidade. O que mais há é doçura nas palavras de perfeitos canalhas. O que mais há é tolerância e coragem na busca de justiça na boca e nos teclados de abusadores. O que mais há é convencimento de rigor e lucidez na atitude de impostores.  


A maldade existe e normalmente está mascarada de forma a produzir maior dano aos odiados ou abusados e o maior benefício a quem deles se aproveita de modo ilegítimo. A crueldade existe cercada de elogios ao engenho e lucidez dos que vivem a causar o prejuízo alheio. Se a Natureza sempre gerou crápulas, o mundo online e o espaço público em geral são um viveiro deles alimentados a farinha e sarcasmo. No prato já não sabem a mar e são indigestos, apesar disso conseguem enganar por algum tempo, não se distinguem e têm vasto auditório esfaimado de engodo.


A vida também é feita de escolhas e há quem opte por viver a enganar, prefira o atalho de viver à custa do trabalho, do esforço de entendimento e do talento alheio - do esforço dos que desdenha. E do enaltecimento oportunista. Todavia dizer isto não é simpático, não é forma de angariar amigos nem dá audiência a ninguém. Ainda bem. A incompreensão demonstra que é o caminho certo. Um carreiro uns dias solitário outros cercado do aconchego de muito poucos. Maravilha, o caminho próprio.