Esta sexta-feira.
A segunda continua bonita e cheia de vigor 14 dias depois de florir. As tulipas não são tão fugazes assim. A primeira foi precoce mas envelheceu cedo demais. Tal como o do cacto ou suculenta - nem sei bem como chamar -, trazida da Feira da Alegria no Passeio Alegre, o filhote vai desenvolvendo lentamente.
Sou incapaz de desfazer-me de plantas antes de estar certa de terem morrido. Há quem substitua as plantas murchas para ter as varandas ou jardins sempre viçosos. Há quem dê muito valor à imagem perfeita. Às vezes, raras vezes, invejo este espírito pragmático e resoluto, noutras, na maioria, compreendo que consigo ver vida e beleza onde muitos não vêem. Não concebo o belo da mesma forma. Não percebo perfeição onde outros a vêem. Não tenho queda para a encenação. Gosto mais de cores naturais e mortiças do que das artificiais e muito vivas e, apesar de achar piada às últimas por momentos, não concebo umas sem as outras, amputadas de razão inteira. Respeito e aceito os ciclos da vida. Encaro com naturalidade até aquilo que para os outros é tristeza. Porém não cultivo a melancolia nem procuro passar imagem de afectada pelas dores da humanidade, nem a aparência de grande conhecedora e derrotada pela crueldade da vida no intuito de dar um ar ilustrado e elegante - seria anedótico por forçado. Não quer dizer que não me revolte ou sucumba à tristeza ou ao desgosto por momentos, não quer dizer que não sofra, mas sei que há-de sempre despontar algures um motivo para novas alegrias e entendo esta relação íntima e tendencialmente pacífica com a tristeza como a abnegação necessária para uma vida mais plena. Claro que isto só é possível por ter sido bafejada com o dom da confiança no futuro e compreendo bem que outros, com vidas mais duras, mais sofridas, ou bafejados com outros talentos que não possuo, não entendam a vida assim.
Mal comparado talvez por isso não goste de maquilhagem, de tinta no cabelo ou de verniz de cor nas unhas.
Ou, então, tudo isto não passa de teorias a treta expelidas à sexta-feira, dia sim, dia sempre bem-disposto. Palavras sem importância nenhuma.
Bom dia.