Ontem foi um dia difícil de trabalho. Não deu tempo para escrever. Logo ontem que comi caldo verde ao almoço e fiquei cheia de vontade de falar na couve-galega. Bem vistas as coisas não sabia muito bem o que dizer. Mas basta puxar pelas recordações e talvez comente que conheço a planta desde sempre. De tal modo que me lembro de ser do meu tamanho. Não sei se muitos dos que a compram esta couve (brassica) nos mercados têm noção de que o pé da menina tem amiúde um metro de altura. Lembro-me de arrancar as folhas à altura da minha cabeça e ir dar às galinhas e aos patos. Sim porque estas plantas, além de acabarem em óptimas sopas, são alimento essencial da bicharada e, por isso, também se chamam forrageiras.

Imagem daqui. Podem aprender sobre a couve-galega aqui.
A maioria dos australianos nem coloca a hipótese de trazer à mesa as deliciosas nabiças, que considera tão simplesmente alimento dos animais. Que desperdício. Logo nestas outras brassicas em que tudo se aproveita. Começando pelo nabo - a raiz -, que ainda não aprendi a gostar mas lá chegarei; é tudo uma questão de idade. Em criança não apreciava a folha – a nabiça -, e hoje pelo-me pela textura áspera e gosto acre que dá à sopa, apesar de nunca mais ter voltado a comer tão boas como as experimentadas em mais nova. Das duas uma: adulteraram a planta ou os cozinheiros perderam a mão. Valham-nos os grelos – a inflorescência da planta -, bem confeccionados na maioria das vezes, talvez por ainda estarem na moda culinária.

Imagem daqui. Podem aprender sobre o nabo e nabiças aqui.
Mas a rainha das couves (a rivalizar com a penca no Natal) é a da primeira fotografia. Talvez por ter crescido a ver segar (termo que nunca mais ouvi) a corriqueira couve-galega para o excelente e ligeiramente amargo caldo-verde do almoço de Domingo. Cortar fino e depois de retirar bem o caule e os talos. Coisa que quem prepara as folhagens para as sopas disponíveis nos supermercados não faz. É bom que se diga: aquela coisa de andar a comer talo fatiado de couve-galega ou pé de agrião estraga o prazer de saborear, sobretudo no último, o seu creme suave.
Por fim e voltando às galinhas, outro apontamento importante é notar a diferença entre um ovo de galinha que come verdes ou apenas milho e farinha. Aqueles ovos amarelo pálidos sem sabor relevam pobres galinhas que enfardam farinha, já os laranja vivo com paladar forte denotam galinhas que picam e se alimentam de verdura (tal como casca de fruta). E por falar em ovos, conhecem o sabor de ovo de pato? Muito diferente: tem travo de ave selvagem, distinto do da galinha. Experimentem.
E foi este o momento verde de hoje nas Comezinhas. Matérias que importam.