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23/07/2020

Ser

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Houve tempos em que a vida coube num quarto. A mesinha cabeceira, o guarda-vestidos e o baú de plástico, repleto de papéis escritos, debaixo da cama. De repente, o caos. Vinte anos de desabafos em tiras finas saídas da tesoura para o contentor do lixo. Sem arrependimento. É preciso tão pouco para viver. E com pouco apeteceu recomeçar.


Mais uns tantos decorreram e na vida mais cheia, se ainda vale o alívio de retomar, nunca falha o eterno cansaço da falta. Nunca nada é suficiente. Nada é bom o suficiente. E nunca o bom chegará. Nada vale a pena e a mão que escreve, senão ao sentir a tentação recorrente do peso da renúncia.


22/07/20