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18/07/2020

Ciência

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Depois de umas leituras na diagonal por essa internet fora, hoje antes de dormir vou, como em criança pequena, rezar uma oração. Em agradecimento por estar bem, sobretudo do juízo.


Ao retroceder uma quinzena de anos percebo o dano e o ridículo de viver com falta de discernimento. Lembro-me das teses sobre a gripe das aves e tudo quanto estava associado. Na altura vivemos uma espécie de amostra do que agora se regista com a covid-19. Como nessa altura, verifico que mundo está cheio de lunáticos (por tratar), de teorias da conspiração e outras balelas. Gente, às vezes, com vidas e profissões respeitáveis e não só cheia de vontade de tirar conclusões e ilações instantâneas, como pronta a impingi-las. Gente a quem o chão foge se não tiver apenas certezas e se não puder convencer os outros das suas intensas verdades momentâneas. Gente que não sabe conviver com o imprevisto, a natureza e as suas leis.


Desta vez terei o cuidado – se o juízo me continuar a permitir – de não ser susceptível nem permeável à histeria do ‘eu vi primeiro’ e ‘eu é que sei’. Fico apenas na esperança de assistir ao fim da história e para isso conto apenas com o conhecimento discreto de quem dedica a vida à real e credível ciência e, de facto, pode ajudar a compreender o que se vai passando. A questão é como chegar a este conhecimento no meio de tanto lixo e ruído.