
Ter mau feitio dá para isto. Para me encanitar com algumas situações e pessoas. A mais recente urticária é com a aparição diária de Fernando Medina nos jornais. Se repararem todos os dias o menino aparece como Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, que somos quase todos nós prontos a levar com o quotidiano estado de espírito do Presidente da Câmara de Lisboa. Hoje é para se congratular com o acordo de Bruxelas e gracejar sobre os forretas. Noutros dias é para defender o Governo ou a acção do município e mais um vislumbrar de grandes oportunidades na Covid-19, agora em sede de habitação. Ou para apelar a que se despachem com a decisão sobre o aeroporto do Montijo, ou se atirar às más chefias no combate à pandemia.
Todas as oportunidades de figurar são aproveitadas. Pois que o menino estudou o bê à bá da esgrima política e segue a cartilha ipsis verbis. Sem um desalinho, com vocação e disciplina digna de escuteiro. E com a ajuda dos jornais vai impor a sua agenda: o cânone do politicamente correcto. Até porque tendo sido baptizado, no ano passado, no Bilderberg acha que as suas aspirações são mais do que legítimas. E, por ele, daqui a uns anos Portugal estará transformado no recreio de berçário com as ruas e estradas cor-de-rosa para as meninas, azulinhas para os meninos e verdinhas para os assim-assim. E nós estaremos todos a dizer gugu dá dá.
Está para chegar o dia em que os jornais levem ao colo um futuro líder nacional que defenda ideias de responsabilidade na cidadania e de efectiva racionalização na utilização dos recursos financeiros (além dos naturais). Gente que diga coisas desagradáveis, mas que ajude a fazer do País uma Nação decente e mais autónoma. Bem, pensando melhor, tenho uma vaga memória do Diário de Notícias ter feito este papel no passado com Pedro Passos Coelho. De facto defendia algumas ideias certas e era desagradável q.b., pena que trouxesse atrelada gente oportunista e gente capaz de debitar de cor teorias económicas sem conhecer nem querer conhecer a realidade do País, por não ter um pingo de sensibilidade social.
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Nota. Para que não pensem que só sei dizer mal. Ontem gostei da peça que a SIC mostrou no Jornal da Noite sobre o estado de avanço na procura de vacinas para a Covid-19.