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27/07/2020

Manhã de faca e alguidar

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Mesmo que tenham passado 40 anos sobre o crime, e duas horas volvidas sobre o despertar, o estômago ainda revolve com um caso destes. Evito 90% das vezes os casos de faca e alguidar, mas hoje deu-me para começar a ler o jornal por aqui. Imagino que a leitura de um artigo destes por um literato seja feita desapaixonadamente da análise de intenções, jogos mentais, avaliações de carácter e probabilidades, ou até de apelo artístico da coisa. Mas a mim, como à populaça, resta apenas perplexidade e repulsa. Assalta-me de imediato a dúvida se já me cruzei na vida com alguma criatura ao menos em latência tão horripilante como esta terapeuta de saúde mental, e chocam-me mais os termos da proposta de affair, o papelito dos prós e contras na parede e as regras do jogo do que os 41 golpes de machado. Mas isto é o que menos interessa: dêem-se vivas ao reality show do crime. As audiências ficam em frenicoques e isso rende, que é o que mais interessa.