
Na sequência deste post matinal, só mais três notas sobre as negociações da TAP.
A primeira relativa à alegação de que a bancarrota da TAP provocaria falências de várias empresas e despedimento de muitos trabalhadores ligados à operacionalidade da companhia.
Não precisam encomendar estudos a consultoras, mas talvez já tenham ouvido falar em mercado. Presumo que as companhias que ocupariam o lugar da TAP nas suas rotas teriam que ter o mesmo suporte, apoio e serviços e que, ao menos em parte, esse poderia ser assegurado pelos mesmos trabalhadores e empresas.
A segunda para lembrar que se a ideia é emagrecer a TAP, as consequências nefastas acima referidas irão verificar-se de igual modo, com a agravante do Estado financiar o vazio (e estou certa que generosamente). O Estado português é perito em financiar aquilo que não é económica e financeiramente viável. Ou seja, não se evita, mas sim agrava o perigo que se pretende precaver.
A terceira e última relativa ao discurso aparentemente suave do ministro. Se por um lado, condescendente, entende os portugueses desconfiados por ganharem pouco e estarem a passar por dificuldades, por outro ataca delicadamente os comentadores que questionam a operação.
É bom que quem está no Governo saiba que, apesar de ter oposição, comunicação social e população por conta, ainda há alguns portugueses bem conhecedores dos modus operandi do PS quando se trata de calar as vozes discordantes. O tom mais cordato e diplomático do actual Governo – em comparação com o animal feroz – não ilude quem conhece a tendência para descredibilizar e calar os que questionam a acção governamental.