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14/01/2020

Má-língua e arte

sem nome


Recordo com imprecisão ter lido, escrito há poucos anos em espaço virtual, conclusão de moderno estudo científico: a má-língua ou maledicência contribuíram para o aperfeiçoamento da inteligência humana. Não haveria precisão de tanta ciência para pôr a nu a certeza de que a imaginação e vontade de inovar não se esgotam na procura do essencial nem do bem e que não há bem que não compreenda o mal, nem mal que não contenha o bem.


O senso comum confirma as manifestas qualidades intelectuais de quem é capaz de ardilosamente imaginar e, com enredo, criar tensão e reacção. Coisa diferente é saber se tal propósito chega para haver génio e verdade.


Mal comparado é como o aprendiz de violino e vizinho do prédio com mau isolamento acústico. Se for virtuoso, até perdoamos os primeiros anos de chiares metálicos desentoados, mas tratando-se de voluntarioso não é de estranhar que façamos as malas com destino a lugar com maior amor à arte.