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26/01/2020

Da brecha

sem nome


Julgo conhecer bem e perceber o argumento conservador e retrógrado de não se poder abrir a brecha, sob pena de não mais suster a força da reivindicação. É a lógica da firmeza e irredutibilidade usada em certos discursos. O que me ocorre ao ouvir esse argumento é a imagem da barragem, a constatação de que não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe e a interrogação do que é o bem.


A constatação de que a barragem com todas as comportas cerradas conduzirá a que o leito do rio fique repleto e penetre nas terras adjacentes ao longo do percurso e, por fim, galgue a própria barragem engolindo tudo quanto encontra a jusante.


A contestação da leviandade da ideia de que o futuro é sempre melhor do que o presente e este sempre melhor do que o passado; de que o mundo tem sido um contínuo de avanços civilizacionais, quando o facto é que corre em soluços de avanços e retrocessos.


A dúvida se o bem que se quer proteger é a justiça no acesso lícito de todos ao conforto material e liberdade ou a manutenção de privilégios de poucos.