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20/01/2020

De ginjeira

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Para quem percebeu nos anos oitenta que a diferença existe e devemos respeitá-la; para quem passou parte da segunda metade dos anos noventa a acompanhar amigos gays ao Boys’r’Us, ao Moinho de Vento, ao Frágil e até ao Trumps, porque era o espírito do tempo e o da amizade e por não lhe passar pela cabeça discriminar alguém pela sua orientação sexual, e só se espantou um pouco por alguns - poucos, felizmente - não perceberem que respeitar a diferença não é alardeá-la e que, com sobriedade e sensibilidade, se pode estar  – presente e solidário - do lado da diferença, esta pantomina da doutrinação identitária não é totalmente estranha, mas tem extrapolado os limites do razoável e, nem é tanto pelo folclore (ou pimbalhada), porque vá, por mais patético que seja cada um que se expresse como quer, é por se voltar a confundir direitos com dogmas de fé, por se reinventar um reino dos céus, agora bem terreno e palpável e vedado aos impuros, violentando a liberdade de cada um a expressar o  pensamento, caso não seja pautado pelos cânones e jargão da diversidade.