
*
Não tarda
tanto assim,
faz vinte anos:
o presente a entrar
sem aviso nem juízo
porta adentro.
No intervalo,
o tempo correu,
na aparência
pouco aconteceu.
Sucederam,
todavia,
dez anos
de distância,
tu e o passado
bem amolgados,
cada um por si,
a reerguer.
Saboreavas
haver presente,
e de novo
o passado
se fez presente.
Em história
digna de ser,
contigo esbarrou
renascido e delicado,
como só ele soube
e sabe ser.
Não tarda
tanto assim,
faz dez anos:
o passado a reentrar
sem aviso nem juízo
porta adentro,
em jeito de
ninho, futuro
e caminho.