
Conheces a menoridade do registo confessional e dos paralelos. Vais ao ponto de revelar medo do equívoco, e explicas a razão dos quase vinte anos da forasteira ou dos dezasseis (ou dezassete) do fora do baralho e de te conservares, desde sempre, do lado de fora. Segues caminho com ar de tonta, eternamente descabida e ridícula e, em regra, para além da indiferença arrancas pouco mais do que escárnio por ingenuidade e presunção. Sabes que o pouco que sabes é infinitamente menos do que o desejável, mas além do julgado. Reconheces o talento e o esforço de quem questiona, estuda e aprofunda a informação e o conhecimento, mas sabes que isso não chega ao saber. Viste demasiados homens e mulheres atolados em conhecimento, sem conseguirem discernir, não só pelo peso de tanta matéria e falta de espaço e tempo para pensar, mas também por de si não saírem e a si ou a algum amo servirem. Não é só a sobrecarga de informação que degenera, mas a sobrecarga de conhecimento mal assimilado por confusa percepção sensorial e submissão a amores e rancores ou simples pagas de favor. Vês o mundo sensorial impor-se fazendo prevalecer sentimentos de pertença e de rejeição como se equivalessem ao bem ou à verdade. E sabes que quem não consegue sair de si, suster-se do lado de fora, não pode ser capaz de discernir, por estar servindo a si ou ao amo, por estar preso e condicionado, servindo sensações, amores e rancores sem os compreender.