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28/01/2020

As novas lavadeiras

sem nome


Um nico de presunção não faz mal a ninguém e sempre alivia o tédio. Vamos lá a isto.


O que repele na argumentação de seitas e tribos do Twitter e do Facebook é o grau de infantilismo e de vulgaridade que assombra os cerebrozitos. Desde o tempo dos grupinhos de liceu – normalmente de meninas desinteressantes, porque há trinta anos a maioria dos rapazes não ligava a assuntos fúteis -, não via gente a perder tanto tempo a dissertar sobre o acerto ou desacerto do aspecto do cabelo, o tamanho e padrão do vestido, a piroseira da marca da camisola ou do fato mais justo, o cenário fashion ou kitsch - como se fossem manifestações essenciais ao carácter -, o diz-que-diz-que, o leva-e-traz, a pura intriga e revanche, tudo isto disfarçado de opinião ou pensamento sobre actualidade, política e cultura.


A sensação que tenho é que os cochichos fúteis das senhoras de outrora foram convertidos pela boa democracia em popular mexerico de tanque comunitário, sendo as novas lavadeiras, na maioria dos casos, homens com idade para ser avô e, em certos casos, ditos intelectuais.


E diverte particularmente ver os/as próprios/as - as novas lavadeiras - a desdenhar da falta de urbanidade, das fake news e do cariz desprezível das redes sociais, como se fosse um fenómeno inteiramente novo. Não, gente. Não é. A única diferença é que há microfone comunitário e é mesmo plural. Esta coisa da democracia é uma chatice para quem queria aceder aos privilégios que via em poucos e, agora, vê alargados a quase todos. Que aborrecida é igualdade. Onde estará o pedestal cobiçado?


Com diria a minha avó: ‘ainda estão muito perto’.