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14/08/2020

Passear

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Devo aos meus pais conhecer o País de lés-a-lés. Perdoem-me a presunção; claro que há muitas aldeias e vilas portuguesas que não conheço. Mas em criança e adolescente corri Portugal com os meus pais e irmãos. Ficou-nos o gosto, que fomos replicando ao longo da vida. O ponto de partida de muitas dessas saídas era conhecer os rios e afluentes, as barragens, as pontes. As serras e a as velhas estradas de curva contracurva e as suas fontes. As vilas e cidades históricas. As praias (essas, mais a sul). Os castelos ou restos deles. As judiarias. De norte a sul do País; todas as regiões, todos os distritos. Creio que Beja é a única capital de distrito que não conheci (se a memória não me falha), apesar das visitas a outros lugares do distrito, incluindo Ourique, onde nasceu o Nuno. Em miúda escaparam as ilhas, que só conheci já adulta. A primeira vez que fui à Madeira, fiz férias em Porto Santo sozinha - a melhor forma de ficar a conhecer um lugar.


Devo aos meus pais o gosto de passear em Portugal e fora do País. O gosto, comum a muitos portugueses, de usufruir do melhor que a vida tem. É um prazer ou vício que se entranha e não se perde, apesar de nos últimos anos ter passeado e viajado muito pouco. Conto em dois anos regressar a esses passeios e talvez tenha de esperar pela reforma para ir ao Peru. Sozinha. Há sonhos que têm de ser cumpridos a solo (o Nuno já me prometeu carta de alforria).