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02/08/2020

Bela noite de Sábado

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A noite corre de feição. Ao contrário do hábito de há vinte ou trinta anos não vi o jogo, de que fui tendo notícias pela reacção alegre e efusiva dos vizinhos. Uma das grandes vantagens de me ter mudado para uma zona mais popular da cidade.


Liguei a televisão ao apito final e mais uma vez vi gente cheia de azia. Tanto faz haver comentadores representantes dos três grandes, como não. Saem esses e ficam os jornalistas da casa que são tão ou mais facciosos e ressabiados do que os que deixaram de aparecer.


No dia que o Porto ganhou o campeonato, face ao portista contente com a vitória, vi duas criaturas cuja linguagem, olhar e postura corporal provavam doses impressionantes de raiva e despeito. Desliguei a televisão ao fim de dez ou quinze minutos.


Hoje já só apareceram jornalistas autóctones. A raiva e o despeito continuam presentes, mas agora dissimulados em análises sobre o jogo que, como de costume, se consubstanciam em falar de tudo quanto pode menorizar a vitória. Desliguei ao fim de cinco minutos. Ainda mais rápido do que no fim do campeonato.


Amanhã já estarão todos a falar no treinador e nas glórias do Benfica ou nas intermináveis trapalhadas e questiúnculas do Sporting. Que sejam muito felizes, amanhã. Hoje o meu portinho ganhou e posso continuar a noite alegre e a ler as Ficções, de Jorge Luís Borges.


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Isto apesar de perceber bastante mais de futebol - que cresci a seguir com atenção, aprender as regras e a apreciar -, do que sobre o sábio e erudito imaginário de Borges. Mas não há como insistir, ler, fuçar e alguma coisa há-de cá chegar, apesar de ter a sensação que para ler este livro, que já me tinha passado pelos olhos duas vezes teria primeiro que cair – como o Obélix na poção mágica -, no caldeirão bibliográfico borgiano, uma fonte inesgotável de força mental.


Vamos ao que interessa: obrigada uma vez mais ao Futebol Clube do Porto - ao treinador e jogadores, à equipa. E com isto passa mais uma buzina estridente. Que se oiçam bem nesta bela noite.


Beijinhos e abraços aos amigos portistas. A taça é nossa.