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26/02/2020

Terça-feira de Carnaval

vaso-amarelo.jpg


*


A manhã doce entre a sornice
e o pós segunda grande guerra
do livro entre os lençóis,
o almoço e no jornal da tarde
nada que não preveja.


O guarda-chuva aberto
por pouco tempo
no giro às redondezas mais afastadas,
a premonição do carro estacionado
para trás sobre nós a descair,
como sobre a prima pianista.
Três casas recuadas
com jardim na frente,
uma decrépita, outra habitada,
a última nem coisa nem outra,
o ângulo-morto do guarda-chuva,
a visão do carro em marcha-atrás,
o embate lento e suave,
o berro firme e másculo de aviso,
tudo bem
no aperto de mão
entre dois homens educados,
nenhuma mazela
só o tremor feminino
tocado pelo dedo que adivinha
e continuamos caminho.


Na esplanada
quatro mesas vermelho Buondi
quatro vasos de plástico coloridos
e gola rendada,
o nosso amarelo espantado,
entremeado com o verde imaginário,
depois do lilás do laço no rapaz baratinado,
e antes do azul do balneário,
as flores rosa e para sempre viçosas,
dezasseis cadeiras brancas,
dois cafés, uma água castelo
e uma casa demasiado grande
junto ao xis do mapa do tesouro
do roteiro Porto 2001.


De regresso
à cada vez mais
merecida e nossa casa,
nova, querida e esticada preguiça
antes do preparo do quase nortenho rancho
quase do sul jantar de grãos,
a batotice no abreviado arranjo
nem saiu nada mal
e ainda sobrou almoço
para amainar o corropio de amanhã.