Pesquisar neste blogue

09/02/2020

Espanto

Raios


 


*


 


Pára


o coração


por instantes,


no ápice


o cérebro


manda


quietar


o corpo.


Devolve-o


à natureza


de gato


ou cão


retesado,


e vigia.


 


O deslumbre


do milésimo


de segundo.


A alegria


da surpresa,


o medo


do estranho


perigo.


A mistura


do sorriso


incontido


e livre,


 do arrepio


e susto


de terror.


 


A criança


engolida


pela onda


gigante,


que a enrola


no vácuo


e devolve inteira


contra


a areia.


 


A criança


e o raio


que entra


pela bandeira


aberta


da janela


e sai veloz


pelas traseiras.


E outra vez


os fusíveis


do quadro


a faiscar.


 


A criança,


na manhã seguinte


ao vendaval,


trepa


os troncos


das enormes tílias,


arrancadas


pela raiz,


tombadas


na rampa


do caminho.


 


À distância:


a vida adulta,


fabricada


e banal


demais


para nela


caber


o espanto.