
*
Pára
o coração
por instantes,
no ápice
o cérebro
manda
quietar
o corpo.
Devolve-o
à natureza
de gato
ou cão
retesado,
e vigia.
O deslumbre
do milésimo
de segundo.
A alegria
da surpresa,
o medo
do estranho
perigo.
A mistura
do sorriso
incontido
e livre,
do arrepio
e susto
de terror.
A criança
engolida
pela onda
gigante,
que a enrola
no vácuo
e devolve inteira
contra
a areia.
A criança
e o raio
que entra
pela bandeira
aberta
da janela
e sai veloz
pelas traseiras.
E outra vez
os fusíveis
do quadro
a faiscar.
A criança,
na manhã seguinte
ao vendaval,
trepa
os troncos
das enormes tílias,
arrancadas
pela raiz,
tombadas
na rampa
do caminho.
À distância:
a vida adulta,
fabricada
e banal
demais
para nela
caber
o espanto.