
Parque da Cidade - Porto, 3 Dezembro 2019
*
Sombra
da lua,
na água turva
do mar revolto.
Triz de
amuo,
no eco
da voz.
Outros dias
nem conto,
só calmaria
crua.
Logo
o avesso,
no regaço
morno
do corpo
sem retorno.
O vaivém
da água
engana
os sábios olhos
dos incautos.
O curso
dos momentos
resvala,
despe
a memória
da origem.
Se vaza,
a maré
enche.
Se corre,
o tempo
volta.
A lua
não quer
e o mar
não verga
manso.
O reflexo
foge à sombra,
e liberta
o mar.
enquanto a lua,
teimosa,
retrata a criação
do par.
Se quer,
o mar
terá reflexo,
sombra
e lua.
Porto, 29 de Agosto 2017